Acordei tipo, muito tarde. Acho que tirei os atrasos da vida inteira. Mas acho que é porque estou já me habituando aos horários e rotinas daqui. Tomei um café no “Cantinho Brasileiro” (que não tem brasileiros trabalhando). Todos devem estar pensando que estou numa vida mole aqui, né? É que só contei as partes boas até agora. Acho que se eu contar as ruins, vocês não vão gostar. Mas vou contar sim, faz parte do processo. Aqui no alojamento, não temos chuveiro. Quando conseguimos, esquentamos água, colocamos num balde e tomamos banho de canequinha, que na verdade é um pote de margarina. Quando não dá de esquentar, vem o dilema: banho frio no frio dá doença, mas ficar fedendo também é ruim. E lá fui eu hoje pro banho gelado de caneca. Ops, pote de margarina. Não dá nada, já me acostumei. Mudando de assunto: a gente aqui anda muito na rua, e é na rua que a gente vê os problemas sociais. Maputo é uma cidade maravilhosa, de gente querida, mas muito desorganizada. Não há lixeiras na cidade, e as pessoas simplesmente jogam o lixo no chão. Resumindo: você anda na rua, mas tem que olhar pro chão pra não pisar em alguma lata, papel, casca de laranja e o que mais você imaginar. Além desse tipo de desorganização, há os comércios ambulantes. Esse tipo de negócio é o que vigora a economia da cidade, pois são muitos, mas muitos mesmo, espalhados nas calçadas, vendendo frutas, eletrônicos, acessórios, e outras coisas. Pra quem está curioso, a pobreza é demais, sim. Não há só um dia que eu não saia da rua que não venha alguém me pedir comida. Eu comparei ao Brasil, porque os brasileiros miseráveis pedem dinheiro, e não comida, como eles fazem. E por aí a gente vê que é fome de verdade, e não vontade de tomar cachaça e/ou comprar drogas. Essas pessoas que recorrem a mim, geralmente estão num estado lastimável de sofrimento. Extremamente magros, como cachorros de rua, que só se veem as costelas. Uma observação: nunca vi cachorro na rua. Deve ser porque a concorrência pra revirar o lixo é grande. Então, com toda certeza, esse tá sendo o maior desafio e a maior experiência da minha vida. Em 3 dias aqui, já aprendi a não reclamar mais, a dar valor a tudo o que eu tenho em casa, por que é quando a gente não tem é que a gente lembra da vida e dá valor a ela. Já é tarde e eu vou dormir. Amanhã (25/07) é o meu primeiro dia de trabalho, vamos ver no que dá. Que Deus me abençoe, a vocês também, queridos amigos.
Oi flor!! to adorando seus posts...
ResponderExcluirSe vc ir na Livraria das Paulinas... procura a Irma Maria Ema Tomasi (ela é tia do Dato Tramontin). Diz q vc é de JM..
Bjão e boa sorte!!!
Juli.
Oppah...ha uma brazuca que conhe a nossa livraria paulinas...gostei...
ResponderExcluirAline esta muito bom o teu post sobre o pais...boas observacoes,mas explica que isso nao torna o pais um lugar mau para se conhecer, ta? Beijos amiga
Ok, pessoal! beijos
ResponderExcluir